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por: Wagner - Janeiro/2004
Chegamos na casa do Luis na sexta-feira por volta de 13h, lá conhecemos o Luis e a Sônia e alguns participantes da vivencia, o Amilton, o Edimar, o David e sua esposa Cristiane, eles estavam almoçando. Também na casa do Luis conhecemos seus dois fiéis escudeiros, o Guto e o Cláudio. Logo fomos para a chácara, na viagem comentamos sobre a felicidade e bondade estampada no rosto do Guto e do Cláudio.
Chegando na chácara e logo procuramos uma boa sombra e um local bem plano para armar a nossa barraca, e fomos assim fazendo amizade com as pessoas que iam chegando. Mais à tarde, fomos tomar banho de água de mina geladíssima, mas uma delícia!
Colocamos nossas roupas brancas e depois das 18h iniciamos a cerimônia. Bebi o Yagé e fiquei esperando; o Luis nos disse que a Burracheira (expansão da consciência) iria chegar em 10 ou 20 minutos, esperei, esperei e nada. Pensei “acho que não vai funcionar comigo”. Abria meus olhos e via outras pessoas já entrando na burracheira e nada. Solicitei ao Luis para repetir o Yagé, bebi. Passou mais uns minutos, comecei a ter visões maravilhosas, fractais multicoloridos se multiplicavam, imensos redemoinhos de estrelas coloridas, formas geométricas coloridas e muita luz, eu podia navegar entre eles. Uma grande felicidade me invadiu.
O que pude perceber era que se eu tentasse compreender estas visões elas desapareciam, ou seja, quando eu tentava raciocinar elas sumiam, mas quando eu usava apenas a contemplação elas vinham com mais força, parecia que foram feitas para se olhar com o coração, essa era a linguagem daquele lugar maravilhoso! Por volta da meia noite estava cansado devido a viagem e a arrumação da barraca e minha burracheira já estava se enfraquecendo, fui dormir. Assim foi meu primeiro dia com o Divino Yagé.
Sábado acordamos com música!
No Sábado fizemos algumas práticas e aproveitamos para nos conhecer melhor, iniciamos a cerimônia mais ou menos no horário de sexta. Tomei minha porção e fiquei esperando, demorou uns 30 minutos mas veio muito forte, vi coisas lindas, um mundo de luz, lembrei da minha esposa e meus 3 filhos, foi maravilhoso, senti como os amo, que coisa maravilhosa é o amor, um amor perene, suave, abrangente, que penetra e envolve todo todo nosso Ser. Como estava feliz, enviei amor para minha família, para meus irmãos, para meus amigos e para a humanidade.
Vi o poder de Deus, vi cascatas de amor, pude compreender o que é a Luz que as religiões tanto nos dizem. Senti uma felicidade sempre renovada a cada instante. Nunca me senti tão feliz em minha vida. O sorriso era fácil e ri muito, simplesmente por estar muito feliz. Mas vi pessoas do grupo passando algumas dificuldades, acredito que a força do Yagé nos faz olhar para dentro de nós mesmos e às vezes não gostamos do que vemos; alguns tiveram que vomitar, era uma necessária limpeza tanto espiritual como física.
Domingo também acordamos com música!
Comentei com o Guto sobre minhas experiências do dia anterior, ele com um sorriso nos lábios me disse "Você não viu nada ainda!” Nossa! Já me sentia presenteado pelo Pai pela maravilhosa experiência dos dias anteriores, mas não duvidei, pois não tinha mais o direito de duvidar de mais nada por tudo que tinha experienciado. A cerimônia da sexta foi de limpeza, a de sábado de força e a de domingo seria a da luz.
O Guto tinha razão... Domingo, 25/01/04, foi o dia em que mais me aproximei do Pai em toda minha vida, foi realmente muito importante para mim pois descobri o que quero. Quero servir ao Pai para merecer sua glória.
Tomei o Yagé, acho que foi entre o meio dia e às 13h, logo a burracheira veio com força. Fui para um mundo que jamais poderia imaginar, pela beleza e felicidade. Sinto por não ter palavras para descrever, mas senti a presença de Deus ao meu lado, vi seu poder transformador.
Em certo momento pude ver-me sendo gerado por minha mãe, e em sua barriga podia ver o seu amor partindo de seu coração juntamente com seu sangue, trazendo para meu corpinho os nutrientes e o oxigênio, as células como que explodiam em muitas outras e assim meu corpinho crescia e se transformava em pessoa. Senti muita gratidão por ela e a agradeci. Infelizmente minha mãe já faleceu, mas pude sentir sua presença me acariciando e transmitindo seu amor.
Em certo momento comecei a sentir frio, peguei o cobertor e ajeitei-o com a mão, aí pensei “obrigado mão por tanto me ajudar” e senti uma profunda gratidão pela minha mão. Fiquei com vontade de a beijar, bom, aí pensei “tô ficando maluco, acha que vou beijar minha mão!” Para minha surpresa a mão respondeu que ela queria ser beijada, mas logicamente em forma de sentimento; acabei me entregando aquele sentimento e beijei minha mão, nesse momento o resto do corpo começou a fazer seus pedidos e reclamações... Minha perna esquerda reclamou que a desprezo e tenho vergonha dela (tive pólio aos 4 anos); minha perna direita reclamou que faz muito esforço em função de exigir muito mais dela; meus olhos reclamaram que são obrigados a ver coisas como pornografia e outras porcarias; meus ouvidos da mesma forma reclamaram; minha pele também reclamou que preciso ter muito mais contato com Deus; meu cérebro revelou-me que tenho muita dor de cabeça, pois em função de entrar tanta porcaria pelos olhos e ouvidos, ele fica congestionado de energias baixas e causa má circulação sangüínea, levando à dor de cabeça.
À tarde choveu e pela primeira vez na vida pude ver que não é só água que cai do céu, também cai amor de Deus e muita luz, é maravilhoso ver este show da mãe natureza. Pude ver e sentir a película elétrica que envolve as gotas de água, a força de coesão das moléculas de água na superfície das gotas. Vi a terra nutrindo as árvores, a seiva correndo pelos troncos, galhos e folhas. Tudo isso num show de luz colorida; os cipós ficaram fluorescentes, em azul, foi maravilhoso...
Uma abelha Arapuá voou sobre o meu peito, naquele momento a olhei com grande amor e pude ver sua forma astral, parecia uma linda fadinha voando, sua forma astral era bem maior que seu corpo físico, suas asinhas transparentes em um tom rosa maravilhoso fazia contraste com seu corpo físico. Na verdade o corpo físico da abelha parecia um pedacinho de carvão voando comparado à beleza de seu corpo astral. Aquela chuva foi linda e reveladora, apenas temos que ter olhos para ver a beleza e o amor do Pai.
O Pai mostrou-me o poder da mente sobre os fenômenos naturais... Vi uma tempestade de verão e eu era a força do vento, a pressão do ar, a eletricidade das nuvens e um conjunto a mais de energias que não sei descrever, assim, pude perceber como é possível mudar a trajetória da chuva ou a força do vento; tudo parecia-me que estava dentro de uma infinidade de possibilidades, como um tabuleiro de probabilidades, só que nós temos o poder e a possibilidade de escolher. O Pai mostrou-me que ele não guarda segredos, depende de termos “olhos para ver”.
Na volta para casa enfrentamos uma enorme chuva e lembrei-me disso, comentei com meu amigo Giovani. Pedi então ao Pai, que diminuísse aquela chuva para seguirmos nossa viagem com segurança, incrivelmente depois de uns minutinhos a chuva cessou e chegamos em casa sem mais um pingo de água. Pode ser até coincidência, mas eu acredito que foi a intervenção das nossas possibilidades como filhos de Deus. Amigos, vou parar de escrever pois a narrativa está muito longa, mas em resumo, foi para mim uma transformação. Agora que vi a Glória de Deus sei que é ela que quero, me esforçarei para merecê-la.
Um grande abraço a todos.
Agradeço ao Luis e a Sonia pelo seu divino trabalho, agradeço a força do Yagé, amigos muito obrigado.
Wagner Pereira
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