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por: Rogério - Março/2004
(1) No primeiro dia demorei um pouco para sentir o efeito. Observei que algumas pessoas logo mergulharam na experiência. Tomei uma segunda dose e o Luis me perguntou se não poderia haver algo que estivesse me bloqueando. Disse também que às vezes não percebemos que a força já está se manifestando. Fechei os olhos e procurei ficar tranqüilo. Comecei a perceber a ação do Yagé que, devagar, ia "subindo" numa espiral de pétalas coloridas. Numa dessas pétalas vi meu rosto numa expressão de racionalidade e preocupação que não faziam mais sentido agora. As pétalas iam se sobrepondo e apagando a superficialidade das preocupações cotidianas. Senti que havia algo que precisava tomar consciência, mas preferi aguardar um pouco mais, pois parecia ser um pouco dolorido.
(2) No segundo dia, mais sensibilizado pela experiência do dia anterior e pelo convívio junto à natureza, foi mais fácil entrar nas visões. Deitado na rede fechei os olhos e, sem demora, começaram a se desdobrar maravilhosas imagens de um mundo perfeito. Complexas e harmoniosas construções de luz foram se sucedendo num ambiente de serenidade e bem estar. As cores eram vivas, brilhantes e variadas, mas não ofuscavam a visão. Senti a gentileza e o amor de algo que me mostrava todas essas coisas. A música embalava a sucessão de imagens. Ali eu não precisava ter pressa, apenas dirigia a atenção em um ou outro ponto e observava e sentia a perfeição daquilo tudo. Não sei quanto tempo permaneci assim, porque o tempo também não tinha a menor importância. Num certo momento o Luis me perguntou como eu estava me sentindo. Respondi que não poderia estar melhor. A Sonia me mostrou o sofá desocupado quando percebeu que eu tentava me ajeitar melhor na rede. Fui para lá e posteriormente tomei uma segunda dose quando senti que o efeito estava passando. As músicas surpreendiam cada vez mais. Induziam a visões mais e mais fantásticas. Vi alternadamente o que achei que fossem grandes civilizações do passado como a egípcia e a asteca. Naveguei numa linda "barquinha" comandada por um animado capitão. Tudo isso guiado pelas músicas. O final do segundo dia foi em volta da fogueira onde dançamos algumas músicas num ambiente de felicidade.
(3) O terceiro dia trouxe uma novidade: fizemos as práticas à luz do dia. Para mim, uma experiência mais suave, mas não menos bonita. Sutis e frágeis formas de luz iam aparecendo. Num certo momento comecei a perceber uma gigante águia com sua grande envergadura de asas, bico forte e olhar penetrante. Suas grandes garras me mostravam a firmeza que eu deveria ter para me firmar no mundo. Neste momento o Luis falou que a águia simbolizava o Pai Celestial que, das alturas de seu vôo, tudo vê e tudo sabe. E eu voei como águia, imagino que junto de outros do grupo. Passei as mãos pelo rosto e pelo tronco; senti meu corpo vibrando. Abri meus olhos e vi os olhos das pessoas brilhando. O Marcelo (Carvalho) ao meu lado, com um sorriso no rosto me perguntou como eu estava me sentindo. Excelente, respondi. Ou deveria ter dito em estado de graça?
Devo dizer que em nenhum momento perdi a consciência de onde estava ou de quem eu era. Minha consciência se ampliou nos momentos da prática.
Agradeço ao Luis e à Sonia que proporcionaram tão intensa e agradável experiência com o Vegetal num ambiente onde eles eram o PAI e a MÃE, como carinhosamente se chamavam, cuidando de todos nós IRMÃOS que estávamos lá. Também não posso me esquecer do Léu e da Pâmela e, é lógico, da Belinha, a cachorrinha, que junto de todos os outros proporcionaram um ambiente perfeito nesses três dias.
Eu volto! Rogério.
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