
| BANDEIRA DA PAZ |
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"Onde há paz, há cultura Onde há cultura, há paz. " (Nicholas Roerich, 1874-1947)
A Bandeira da Paz, como é bem conhecida, é o símbolo do Pacto de Röerich. Esse grande ideal humanitário estabelece, na área das realizações culturais da humanidade, uma proteção semelhante a da Cruz Vermelha no alívio do sofrimento físico do homem, conforme o estabelecido nos Artigos I e II do Pacto de Paz: (vide Pacto Röerich). As instituições educacionais, artísticas e científicas, as missões artísticas e científicas, o pessoal, a propriedade e coleções de tais instituições e missões serão consideradas neutras e, como tais, serão protegidas e respeitadas pelos beligerantes. A proteção e o respeito serão devidos às instituições e missões acima mencionadas, em todos os lugares sujeitos à soberania das Altas partes Contratantes, sem nenhuma discriminação quanto à lealdade ao Estado por parte de qualquer instituição ou missão, em particular. As instituições, coleções e missões assim registradas, poderão apresentar uma bandeira própria que lhes darão direito à proteção especial e respeito por parte dos beligerantes, dos governos e pessoas de todas as altas partes contratantes. O desenho da Bandeira da Paz apresenta três esferas rodeadas por um círculo em cor vermelha escura sobre um fundo branco. Das muitas interpretações nacionais e individuais deste símbolo, as mais usuais são, talvez, as da Religião, Arte e Ciência como aspectos da Cultura que é o círculo que as está envolvendo; ou as realizações da humanidade, no passado, presente e futuro, guardadas dentro do círculo da eternidade. Estas duas interpretações são igualmente boas, pois representam uma síntese de vida que é um preceito verdadeiro e justo de governo.
Este símbolo da tríade, que pode ser encontrado em todo o mundo, pode ter vários significados. Alguns o interpretam como o símbolo do passado, do presente e do futuro, encerrado no anel da eternidade; outros consideram que se refere à religião, ciência e arte, reunidas dentro do círculo da Cultura. Mas não importa qual seja a interpretação, o próprio símbolo é de caráter universal. O mais velho dos símbolos hindus, Chintamani, o signo da felicidade, é composto por este símbolo e podemos achá-lo no Templo do Céu, em Pequim. Aparece nos três tesouros do Tibete; no peito do Cristo, no quadro bem conhecido de Memling; na Madonna de Estrasburgo; nos Escudos dos Cruzados e nos Brazões dos Templários. Pode ser visto nas lâminas das famosas espadas caucasianas conhecidas como “Gurda”. Aparece como um símbolo em vários sistemas filosóficos. Pode ser encontrado nas imagens de Gessar Khan e Ridgen Djapo, na “Tamga” de Timurlane e no Brazão dos Papas. Pode ser visto nos trabalhos de antigos pintores espanhóis e no de Ticiano, e no antigo ícone de São Nicolau, em Bari, e no de São Sérgio e da Santíssima Trindade. Pode ser encontrado no Brazão da cidade de Samarcanda, em antiguidades Etíopes e Coptas, nas rochas da Mongólia, em anéis tibetanos, nos ornamentos de peito de Lahul, Ladak e em todos os países do Himalaia, e na cerâmica da era neolítica. É visível nas bandeiras budistas. O mesmo símbolo é marcado em cavalos mongóis. Nada, então, poderia ser mais apropriado para reunir todas as raças do que este símbolo que não é um mero ornamento, mas um símbolo que carrega com ele um profundo significado. Quando se trata de defender os tesouros do mundo, não poderia ter sido selecionado um símbolo melhor, pois ele é universal, de antiguidade ilimitada e carrega com ele um significado que deveria encontrar um eco em cada coração. Helena Röerich escreveu, no livro “Cartas de Helena Röerich”, Volume I, Tomo II: A nobre idéia da Bandeira da Paz deve gradualmente tomar a vida e, como diz um escritor, “Cada cientista, cada criador, cada professor, cada estudante, cada um que pensar sobre o significado da História, deve apressar-se em responder à convocação de Nicholas K. Röerich, que ergue a Bandeira da Paz por sobre todo o mundo. É claro que esta paz é também luta. Mas não é uma luta pelo bem-estar pessoal, mas sim uma defesa contra as forças obscuras, que estão atacando os tesouros do espírito...” Não são os estatutos que importam, e sim a vontade individual dos trabalhadores culturais. INFORMAÇÕES SOBRE A PINTURA – MADONA ORIFLAMA – 1932
Na iconologia de Röerich, as mulheres são propagadoras e guardiães da cultura e beleza universal, as que levantarão a Bandeira da Paz. “Mulheres, realmente vocês tecerão e desdobrarão a Bandeira da Paz”, escreveu ele. “Destemidamente vocês ascenderão para defender o aperfeiçoamento da vida. Vocês acenderão um belo fogo em cada lar que criar e o sustentará. Vocês dirão a primeira palavra sobre beleza. Vocês pronunciarão a palavra sagrada CULTURA”. Indubitavelmente a imagem que Röerich tem da mulher foi inspirada e influenciada por Helena Röerich, que devotou muitos dos seus escritos ao papel destinado às mulheres na Nova Era. Numa carta escrita para um amigo em 1937 ela expressou com muita eloqüência a sua visão sobre este papel: “As mulheres devem acreditar que elas possuem toda a força e, no momento em que elas se despojarem dos condicionamentos impostos pela velha era no que concerne a sua aparente subjugação legal e inferioridade mental e se ocupar com uma educação diversificada, ela criará em cooperação com o homem, um mundo novo e melhor. Verdadeiramente é essencial que a própria mulher conteste a declaração desmerecida, indigna e de profunda ignorância sobre a sua receptividade passiva e conseqüentemente sua inabilidade para criar independentemente. Mas no cosmo interno não há elemento passivo. Na corrente da criação cada manifestação ocorre por turnos, se tornam relativamente ativo ou passivo, doador ou receptor. O Cosmos afirma a grandiosidade do Princípio criativo da mulher. A mulher é a personificação da natureza, e é a natureza que ensina ao homem e não o homem que ensina a natureza. Portanto, que toda a mulher acredite na excelência de sua origem e que elas se esforcem pela aquisição do conhecimento. Onde há conhecimento existe poder. Nas lendas antigas eram atribuídas às mulheres os papeis de guardiães do conhecimento sagrado. Então, que elas também se lembrem de Eva a sua ancestral que foi difamada e caluniada e, que novamente dêem ouvidos a voz da intuição, não apenas comendo o fruto do conhecimento do bem e do mal, mas também plantem quantas árvores forem possíveis que produzam o fruto do conhecimento; e como outrora, quando ela privou Adão do seu estúpido e sem sentido estado de graça, deverá conduzi-lo para uma nova visão ainda mais vasta e ampla e para a majestosa batalha com o caos da ignorância pelos direitos divinos da mulher. A Madona Oriflama (1932), segurando a Bandeira da Paz, o trabalho que Röerich escolheu para representar o Pacto da Paz, está pintada com uma auréola dourada, vestida em um robe de veludo de cor púrpura e sentada em uma almofada. Os três círculos do símbolo da bandeira são repetidos no adereço da cabeça. Ela é uma descendente direta da Rainha do Paraíso e da Mãe do mundo. Em cada lado dela estão duas janelas estreitas e arqueadas através das quais pode ser vista uma paisagem salientada por pequenas torres e pináculos de uma velha cidade européia, à maneira das pinturas renascentistas. Esta alusão visual ao Renascimento pode ser um atributo simbólico ao florescimento do humanismo e cultura que caracterizaram este período dentro da Era Cristã.
Fontes e mais informações: INSTITUTO ROERICH DA PAZ E CULTURA DO BRASIL
CALENDÁRIO DA PAZ E OUTRAS OBSERVAÇÕES IMPORTANTES No Universo Místico temos por princípio respeitar e buscar afinidades com inúmeros valores universalistas e holísticos e não poderiamos deixar de fora os ideais de Nicholas Röerich pelos quais temos profundo respeito. Aproveitamos esta publicação para informar que a Bandeira da Paz sempre está presente em nossas atividades, como pinturas, camisetas, ou mesmo a própria bandeira sendo estampada ou exibida em nossas vivências. Por isso julgamos importante esclarecer que a Bandeira da Paz representa unicamente os princípios de Nicholas Röerich e não tem nenhuma relação direta com o Calendário da Paz ou o Calendário Maia. Apenas para esclarecimento o "Calendário da Paz" é um calendário criado por José Argüelles baseado no Calendário Maia, tendo suas próprias características. Até onde sabemos José Arqüelles adotou os princípios de Nicholas Röerich e justamente por isso criou-se a falsa noção de que a Bandeira da Paz e o Calendário da Paz representassem a mesma coisa. Para concluir queremos apenas reforçar nosso respeito por alguns participantes de nosso grupo que admiram e acompanham o Calendário da Paz mas é nosso dever esclarecer que este calendário não faz parte das atividades oficiais do Universo Místico. Grato. Luis Pereira |
Só existem dois dias no ano em que você não pode fazer nada pela sua vida: Ontem e Amanhã. Dalai Lama |