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por: Enrique - Outubro/2003 (estudante chileno - narrativa traduzida do original em espanhol)
Meu amigo Luis me pediu para escrever algo sobre nossa experiência na Chácara Universo Místico, para que assim nossas vivências sirvam de estimulo para outras pessoas.
Tudo começou ainda no Chile, quando fomos convidados a visitar uns familiares na cidade de São Paulo. Então como anteriormente já haviamos estado em contato com o Luis através do site Universo Místico, resolvemos aproveitar a viagem familiar e ir participar da Vivência dos dias 18 e 19 de outubro de 2003.
Após alguns dias com nossos familiares em São Paulo, partimos para Bauru sem nenhum conhecimento do idioma português, mas fomos com muita fé de que tudo sairia bem e que nossos passos seriam bem guiados. Ao chegar ao terminal rodoviário de Bauru já estavam nos esperando.
Nossa emoção era grande, já que, juntamente com minha esposa, participariamos de uma sessão com Ayahuasca com um grupo de irmão de outro pais. Anteriormente já haviamos bebido Ayahuasca em nosso pais, mas solitariamente, pois no Chile não se conhece muito esta bebida sagrada, nem existem grupos que dela fazem uso.
O local era maravilhoso, com muita vegetação e fauna natural; respirávamos um ar de tranquilidade e grande paz.
Sonia, esposa de Luis, nos recebeu, junto com outros amigos que também participariam da Vivência. Sonia é doce e amavel, nos faz sentir em casa. Também estavam presente o Claudio (de grande coração), Beth (uma dama preocupada em ajudar o próximo com todo tipo de medicina natural e gratuíta), Ricardo J. (um buscador que viajou do Rio de Janeiro para encontrar a sí mesmo), Ricardo (companheiro de muitos anos de Luis), Cris (amorosa buscadora), Luis (nosso guia e orientador), minha esposa e este que vos escreve.
Em pouco tempo o grupo se harmonizou e nos sentiamos como se já nos conheciamos a muito tempo, a diferença de idioma não foi um obstáculo para nos integrarmos com nossos novos amigos.
Antes de começar as atividades da vivência comemos algo leve a base de frutas e verduras, tudo preparado por Sonia com vontade de Ouro. Logo nos banhamos com água da mina e ervas aromáticas, e depois nos perfumamos com essências de rosas. Depois do banho e com essas essências naturais nos sentimos realmente relaxados e com uma extraordinária harmonia com a natureza.
Entre todos fizemos uma fogueira maravilhosa e colocamos as cadeiras e sofás ao redor do fogo deslumbrante. A noite estava maravilhosa, sem frio e com um formoso céu estrelado, que nos acolhia e protegia.
Luis nos foi consagrando a cada um com uma defumação de diferentes ervas aromáticas para limpar nossos corpos, esta limpeza ia nos enchendo de uma mística muito particular, ao sentir os perfumes destas ervas queimando no braseiro. Eu Observava o rosto de agrado de meus companheiros ao ver-se rodeado destes perfumes que faziam crescer o misticismo em cada um de nós e nos integrava cada vez mais no ambiente.
Logo Luis nos foi chamando um a um, para nos dar um copo da bebida Ayahuasca, e a cada pessoa Luis dava uma dose, alguns mais, outros um pouco menos. Em seguida, todos em volta da fogueira, ao mesmo tempo, bebemos o licor sagrado e comemos um doce de côco feito especialmente por Sonia, para retirar o sabor amargo da bebida.
Repousamos nossos corpos nas cômodas cadeiras e sofas e a musica começou a tocar lentamente, uma companheira especial e apropriada para abrir nossa consciência e assim nos colocar em contato com a Luz.
Luis e Sonia entoavam, com melodiosa voz, alguns cantos que nos faziam sentir em contato com a natureza. O verbo harmoniso tem um papel fundamental na abertura da consciência.
O efeito do Yagé não demorou muito; com pouco tempo já comecei a sentir a embriaguês iluminadora e sua presença se foi tornando cada vez mais perceptível.
Pessoalmente eu levava duas inquietudes e para ambas eu recebi uma resposta concreta:
A primeira tinha relação com meu desejo de ter um encontro mais próximo e direto com meu Ser (meu Pai Interno). Eu estava concentrado em meu pedido quando em minha mente chegou a seguinte frase: "O DIA E A HORA SOU EU QUE DETERMINO, NÃO TU". Foi assim que compreendi que para um encontro mais direto com meu Ser será Ele quem decidirá o momento preciso e não eu; é Ele quem dá a ultima palavra e não eu. Comprendi que "A ordem é determinada pelo patrão, não pelo trabalhador". Assim é que comprendi que me faltava trabalho interior e que eu deveria seguir esperando o momento preciso em que meu Ser queira mostrar a Luz de seu rosto. Em resumo entendi assim: "Segue trabalhando e tem paciência, que já chegará o momento".
Com esta resposta meu coração se sentiu mais tranquilo, já que mesmo não tendo chegado o momento que espera, recebi uma resposta que demonstrava que eu não estava só, que o SER sempre esta conosco, mas lamentavelmente não sabemos escuta-lo.
Minha outra inquietude tinha relação com o Yagé. Eu queria saber se esta bebida era o caminho para meu encontro com meu SER (meu Deus Íntimo). Concentrado em minha inquietude, com pouco tempo recebo a seguinte resposta: "O YAGÉ É UMA JANELA, NÃO UMA PORTA". Logo comprendi que o Yagé abre uma janela para outras dimensões, para outros estados de consciência, para assim nos mostrar as realidades e ensinamentos de dimensões superiores, mas para se poder entrar nelas, é necessário passar pela "porta", e que esta não é o Yagé, senão que deve ser encontrada dentro de sí mesmo.
Entendi que não podemos sair da casa pela janela e sim pela porta, já que somente os ladrões e assaltantes entram e saem das casas pelas janelas. Comprendi que até as cadeias possuem janelas, mas uma vez cumprida a sentença, o condenado pode sair do cárcere pela porta.
Bendito seja o Yagé que nos mostra a Luz de outras regiões e nos convida a entrar nelas pelas portas de nosso coração. Maravilhoso Yagé que mostra um pouco de Luz a todos que vivem na escuridão.
Esse foi minha experiência desta noite, maravilhosa para mim, ao obter respostas para minhas duas inquietudes espirituais.
No dia seguinte, pela manha, realizamos diversas práticas em grupo, as quais buscavam aumentar nossa integração com o Universo. Por volta do meio dia nos reunimos no centro de um bosque para beber novamente o Yagé.
Relaxados no bosque, em confortáveis redes, conchonetes e cadeiras, acompanhados de melodiosas musicas e da voz melódica de nossos anfitriões, continuamos a viagem para nosso interior. Desta vez minha mente não estava inquieta com alguma dúvida particular, somente me deixei levar pelos braços da mãezinha Ayahuasca. Estando submergido em sua embriaguês de Luz, de repente, ao ver algo, meu coração se libertou, minha emoção se agitou e meu olhos se encheram de lágrimas; estava passando por uma crise emocional muito importante para mim; pois já faz tempo que estou lutando contra um defeito em particular e neste momento minha consciência me mostrou minha pobreza e minha debilidade interior. O choro era consequência de poder apreciar minha debilidade e miséria interior. Essas crises são muito importantes, pois geram o arrependimento necessário e primordial para a desintegração de qualquer defeito psicológico.
Ao olhar ao meu redor vi que alguns companheiros também estavam passando por suas crises particulares, o que me alegrou pois a Ayahuasca também os estavam ajudando, mostrando suas debilidade e ensinando-lhes a discernir.
Essa foi minha vivência, logo regressamos a São Paulo e posteriormente ao Chile, satisfeitos com a experiência nesse formoso pais chamado Brasil.
Irmãos, no Yagé podemos encontrar uma ferramenta poderosa para aprender sobre nós mesmos. Esta bebida sagrada nos vai mostrando e ensinando o que cada pessoa necesita ver e aprender. Todo o ensinamento recebido dever servir de impulso para que possamos alcançar a morte do ego (primeiro fator de revolução da consciência) e para que nossa própria consciência nos conduza até as regiões de Luz. Aquele que somente bebe Yagé e não trabalha na morte do ego, ficará simplesmente sentado olhando por uma janela.
Quero agrader ao Luis por sua preocupação e cuidados ao conduzir cada um dos participantes a alcançar a melhor experiência que sua própria consciência lhes permita alcançar.
Enrique.S. - Chile.
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