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por: Gabriel - Agosto/2006
Em primeiro lugar quero dizer como todas as medicinas presentes no Universo Místico têm alterado para muito melhor a minha vida.
A amizade e união que se sente nesta família é algo muito superior ao que eu havia jamais imaginado, e sou grato de coração por tudo e busco cada vez mais ajudar a espalhar estas medicinas pelo mundo que tanto precisa.
Certa vez, em uma sessão no Sítio Senhora Santana em São Paulo, estava um pouco apreensivo pois haveria vivência na semana seguinte e eu pensei que deveria “pegar leve”, isto é, beber menos. Achava que devia apenas “relaxar” e aproveitar aquela sessão. Assim, bebi a quantidade normal, mas na repetição acabei bebendo o que eu considerava “pouco”, mais ou menos um dedo.
Aos poucos fui sentindo a força subir, e imediatamente percebi que a minha idéia de beber menos estava totalmente equivocada. Pois cada sessão é única e não se pode deixar de aproveitar pensando que semana que vem haverá outras ou qualquer outro motivo, e segundo pois daquela forma eu estava me bloqueando. Estava limitando a minha experiência, limitando as alturas que poderia chegar simplesmente por medo.
Foi então que pedi perdão por tal pensamento limitador e até desrespeitoso e me entreguei totalmente à medicina, agradecendo e confiando como não havia feito anteriormente, e assim recebi o segundo ensinamento que me foi passado, que foi mais maravilhoso ainda. A burracheira começou a subir de uma maneira estável e intensa, me mostrando que a quantidade não é tão importante quanto a confiança que se dá.
Porém muitos pensamentos começaram a entrar na minha cabeça naquela hora e não conseguia mais sentir, apenas pensar. Todo tipo de pensamento passava por mim, de assuntos variados e sem importância. Comecei a me desesperar, pois sabia que aquilo estava me apertando e ao mesmo tempo não conseguia evitá-los, eles continuavam me perturbando e tomando minha atenção da experiência.
No entanto, comecei a ouvir uma voz suave. Uma voz muito calma e serena, que começou a indagar-me sobre a natureza de meus pensamentos. Na época eu estava lendo um livro sobre Budismo e estava muito interessado nos conceitos, especialmente sobre o Nirvana, pois o autor do livro afirmava que a natureza verdadeira das coisas não é existente, nem não existente, nem ambos nem nenhum dos dois. Isto me veio naquele momento de desespero e a voz começou a analisar todos os pensamentos que apareciam juntamente com estes conceitos.
Aos poucos, todos os pensamentos foram se dissipando, pois a voz me mostrava como eram vazios, e eles perdiam totalmente seu sentido e seu propósito. Aos poucos fui sentindo como se as barreiras que esses pensamentos impunham fossem desaparecendo, se abrindo... até que cheguei nas quatro últimas barreiras, que nada mais eram que as quatro “opções” rejeitadas pela natureza verdadeira (existente, não existente, ambos, nenhum).
De súbito me veio uma compreensão e clareza inacreditáveis e compreendi a essência do que estava sendo dito naquele momento, e as quatro se dissiparam, passando por mim e ficando para trás
Senti-me transportado para um local de pura serenidade. Quando me dei conta, era tudo branco, num horizonte infinito para todos os lados. A voz que havia me guiado me disse naquele momento “Bem vindo ao Nirvana.”.
Senti uma felicidade pura penetrando meu coração e me enchendo de paz e harmonia internas. Passado o momento de contemplação e admiração, a voz começou a me explicar as coisas. Estava num lugar que parecia um barco, um navio muito grande. Eu estava no convés do navio, e havia, inúmeras pessoas comigo. No entanto, todas olhavam para o chão do convés, e andavam sem destino por ele, dando círculos e círculos e fazendo rotas repetitivas. E ninguém conseguia levantar a cabeça, pois se levantassem perceberiam que estavam num barco imaginário. Sim, pois quando me dei conta, entendi que o barco era da mesma matéria que o chão abaixo dele.
Só que a mente e força de vontade das pessoas é que havia criado o barco. As pessoas estavam tão hipnotizadas por sua própria ilusão que não percebiam que podiam transformar o barco se quisessem. Mais do que isso, tal era sua situação que elas já não encontravam forças para levantar o pescoço e compreender o que havia fora do barco. Observando mais, vi que haviam pessoas que acreditavam que o barco estava afundando e que elas estavam afundando e se afogando, e realmente era o que ocorria no lado delas, pois elas criavam aquela situação para si mesmas.
Percebi também que podia escolher qualquer sentimento e sentí-lo da maneira que quisesse. Quis sentir felicidade e senti. Outras coisas como paz, alegria, também estavam ao meu alcance, bastando minha vontade de sentí-los. Eu estava totalmente livre. Perguntei à voz como poderia fazer para ajudar as pessoas para ver para fora do barco, mas ela respondeu que as pessoas olhavam para baixo porque era seu desejo, e somente as que queriam olhar para fora podiam ser ajudadas.
Assim fui sentindo e aprendendo até voltar aos poucos para o Sítio Senhora Santana, e aprendi a confiar na sagrada medicina, e que beber “pouco” é uma questão relativa, e depende mais de você do que da quantidade.
Gabriel
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