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pela Dr. Anna Moura - Médica - Fevereiro/2006
Queridos irmãos do Universo Místico:
Dia 13 de Fevereiro (2006) fez um ano que comecei minha caminhada no Universo Místico e com a Medicina da Ayahuasca e muita coisa já aconteceu desde então. Naquele dia estava descrente de tudo, de Deus e de mim mesma. A revolução foi tão grande que passei a entender que cada segundo de vida pode conter o ensinamento de uma vida inteira.
A partir daí cada experiência foi importante e hoje sou uma pessoa que ainda tem muito o que aprender e caminhar mas que conseguiu avanços pessoais que muitos anos de terapia não resultariam. Tive momentos muito importantes como auxiliar um nascimento de cesareana na força do vegetal (da Laurinha); ver a minha filha Mariana conectada com a Medicina como se fosse uma nativa; ver a minha mãe Vera compartilhando ensinos e recebendo cura; participar da compra do Sítio das Águias e (re)conhecer o meu marido (Pedro) e casar com ele no Universo Místico.
Tudo isso foi muito especial e poderia fazer uma lista de agradecimento a este grandioso trabalho realizado por nosso grupo.
Ao resolver fazer essa narrativa decidi relatar um momento primoroso desta caminhada que se deu durante o primeiro preparo (feitio) de vegetal do nosso grupo aqui no Sítio das Águias. O preparo realizou-se do dia 25 de dezembro até o dia 1 de janeiro, e tudo o que aconteceu tem valor interno inestimável pois o feitio da Medicina fez um feitio interno em cada um dos que estiveram presentes e todos tiveram apredizados valiosos.
Escolhi um momento por ser de resultado completamente inesperado para mim. Consegui permissão do Luis Pereira (Representante Geral) para ajudar o Pedro a lavar um dos panelões utilizado no feitio.
Estavam presentes outros colegas que se encarregaram de lavar mais dois panelões.Os panelões estavam completamente pretos.
Inicialmente pegamos um esfregão e começamos a passar em uma grande área e com força. Ao final de um tempo, pouco tinha adiantado e o panelão parecia igual, porém a minha unha e roupa estavam completamente sujas. Assim é quando tentamos limpar os outros a força com nossas palavras cruéis e nossa lingua ferina, ou ainda com atos de violência disfarçados de boas intenções... talvez o efeito nas pessoas seja de revolta e mágoa, mas não de limpeza; porém nós nos sujamos mais.
Em vista disso, decidimos lavar ainda com força porém uma área pequena do panelão e este começou a limpar. Percebemos que não adiantava querer limpar uma área grande de uma vez. Assim devemos fazer conosco, limparmo-nos aos poucos, de área pequena em área pequena, pequenos defeitos do dia-a-dia, que vão fazendo a diferença aos poucos.
Precisei então trocar o meu esfregão por uma esponja e esfregar com mais delicadeza e menos força. Assim penso que devemos fazer ao apontarmos o defeito de outra pessoa, de maneira doce e delicada para que ela possa ir compreendendo aos poucos e nossa tentativa de ajuda não se transforme em uma crítica vã.
Houveram momentos em que precisei pedir ajuda ao Pedro, para que ele usasse a sua força e o seu esfregão. Ele também pediu a minha ajuda para que eu segurasse o panelão de forma que ele pudesse alcançar determinados lugares. Notei então que a cooperação mútua na limpeza do ego é fundamental, especialmente dentro do matrimônio e que tudo o que um pode fazer para ajudar o outro deve ser feito pois ambos ganham em eficácia e velocidade.
Neste momento os outros colegas já haviam acabado com seus panelões e o meu primeiro impulso foi o de acelerar a limpeza. Fiquei muito ansiosa, apressando o rítmo e nada mudava. Aprendi que as pessoas que estão na nossa frente devem servir de exemplo, porém jamais serem imitadas, pois cada um tem o seu rítmo de trabalho e cada panelão que aparecer na nossa vida é diferente do outro.
Fiquei cansada nesta hora e a limpeza não prosseguia. Parei um pouco e tentei ver o que estava faltando. Decidi então colocar um pouco de sabão em pó seco no panelão e passar com as minhas mãos. A textura do sabão na superfície do panelão me ensinou que quando a nossa caminhada estiver muito árdua, devemos parar um pouco para dar e receber um carinho, um afago e uma atenção. A partir daí o trabalho fluiu e terminamos de limpar.
Porém percebemos que embora o alumínio estivesse brilhando, haviam ainda alguns pontinhos escuros no panelão. Decidimos dar atenção a cada um deles. Alguns cederam com a limpeza, outros porém permaneceram. Embora imperceptíveis aos olhos das pessoas que não trabalharam naquele panelão, nós sabíamos que eles estavam ali. Concluímos que nenhuma obra é acabada, sempre haverá algo a melhorar e por fazer. Nunca estamos realmente prontos, nunca aprendemos tudo, mas o conhecimento íntimo de nós mesmos é importante para sabermos de todos os pontinhos pretos a limpar, mesmo que aos olhos dos outros pareçamos limpos. Nada está pronto, tudo está sempre por aprimorar.
Agradeço profundamente com todo o meu coração a oportunidade de participar de todo o preparo, sabendo que cada preparo me prepara para o próximo preparo e assim é a vida: caminhamos de preparo em preparo pois sempre há mais para preparar.
Anna Moura
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