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por: Edimar - Janeiro/2004
(VIAGEM) Minha aventura começou bem antes de iniciar o trabalho. Desde a segunda-feira daquela semana eu já estava ligado no trabalho, com experiências internas bem intensas. O trabalho se iniciaria na sexta, mas só havia conseguido vôo de ida para quarta a noite, e de volta para terça-feira, dia 27. Mas uma série de situações inusitadas, e um tanto de tontisse de minha parte, me fizeram perder o vôo: cheguei no aeroporto 5 minutos após fechar o check in.
Bem, em nenhum momento pensei em desistir. Pensei: isso é uma prova. Então fui para a rodoviária de Porto Alegre. Isso eram uma 11:30 da noite. Ali chegando, logo embarquei em um ônibus para Florianópolis. Cheguei as 6:30 da manhã e as 7 já embarquei para Curitiba. Desembarquei em Curitiba as 11:30 da manhã, e logo peguei o ônibus para meu destino final, Bauru. Acabei chegando umas 9 horas da noite. Mais um ônibus até a casa de Luis, e ufa, um banho e uma cama.
(SEXTA-FEIRA) Naquela noite tive um sonho incrível, uma preliminar do que seria o trabalho, mesmo sem beber o vegetal. Na sexta, logo após o almoço, nos dirigimos para a chácara. A medida que o pessoal ia chegando, a impressão que eu tinha era de um reencontro com velhos amigos. Não espera encontrar irmãos da nova ordem, e para minha surpresa, havia muitos, inclusive um corajoso irmão que está ativo no Movimento.
O grupo que se formou foi muito coeso, todos com um propósito comum, e creio que isso tenha fortalecido a egrégora de todo o trabalho. Me chamou a atenção o banheiro: em um local privilegiado, no alto, próximo ao salão, parecia um altar. Mais tarde fui entender que tudo tem o seu porque... Bem, o banho Tcheco, de canequinha, e com sal grosso, foi uma experiência a parte. Um verdadeiro descarrego.
A noite, nos preparávamos para fazer o trabalho com a fogueira, quando começou a chover, e tivemos que levar tudo para o salão. Nesta noite, experimentei o relaxamento mais intenso de minha vida. Cada músculo, cada célula, era puro relaxamento. Ao som de músicas maravilhosas, das chamadas, e dos mantrans, aos poucos entrei em um estado de êxtase muito profundo. Confesso, que ali minha mente teve de se render ao Vegetal do Luis. Sim, porque essa era minha maior dúvida: será que o Yagé dele é bom, será que é forte? Naquela noite já tive a resposta.
E se isso era só o começo... meu Deus, o que me esperava... Tive nesta noite lindas visões, e alguns poucos momentos difíceis lutando com a mente. Mas nada de enjôo, o que é algo raro, pois já fiz muita limpeza no Daime, o qual tenho comungado a um ano. E pensei que não faria naquela noite. Porém já ao final do trabalho, inventei de comer, de seguir um impulso que não era fome, e não deu outra. Sentei na cadeira e fui cobrado na hora. Só deu tempo de sair do salão, e chamar o velho Hugo, sob a observação atenta de Pena Azul, o índio Waldemar.
(SÁBADO) No dia seguinte, acordado pela música, fizemos o desejum e o Luis determinou algumas atividades para o grupo. A mim, tocou participar do plantio de alguns pés de Mariri. A tarde, seguimos com algumas atividades, e a noite, tivemos chuva novamente. Então preparamos tudo para fazer o trabalho no salão. Só que desta vez a chuva deu uma trégua no início do trabalho, e pudemos fazer a fogueira. A medida que íamos bebendo o Vegetal, saíamos do salão e formávamos um círculo ao redor da fogueira.
Quando a força pegou, alguns irmãos tiveram suas passagens, e no início fiquei muito ligado neles, me concentrando e mandando força. Então cheguei no Luis e pedi uma segunda dose. ELe estava prestando auxílio a algumas pessoas e me pediu um momento. Então me sentei novamente, e refleti: "Será que preciso mesmo de uma nova dose?" A resposta não tardou. A força se intensificou, de uma forma maravilhosa. Então, desisti de uma nova dose, não precisava. Respostas para algumas perguntas se tornaram certeza. Sobretudo meu caminho no xamanismo.
Senti um forte chamado a essa linha, com uma certeza e objetividade, do que preciso buscar, das curas que necessito e do compromisso que precisarei assumir com a humanidade. Senti como se estive ligado com todos, e diante do fogo, transmutava energias, limpava e harmonizava, com uma consciência maravilhosa. Depois, me deitei em uma rede, e então vivi um êxtase como nunca havia vivido, uma felicidade, uma plenitude, uma alegria, uma sensação impossível de descrever com palavras.
(DOMINGO) Como choveu a noite toda, no domingo, tivemos que suspender as atividades que faríamos na floresta, e o trabalho foi novamente no salão. Me deitei em uma rede, após comungar o Yagé, e então, senti muito frio. Sônia percebendo isso, me cobriu com um macio edredom. Então minha viagem foi um verdadeiro renascimento. Senti como se voltasse ao útero de minha mãe, e um amor profundo pela mãe terra. Foi uma experiência maravilhosa, uma paz, uma tranquilidade, um amor profundo por todas as coisas. Mais tarde, quando degustava uma pera, era a pera mais deliciosa da minha vida. Tudo tinha um sabor intenso, verdadeiro, profundo. Estava ligado a tudo, me sentia verdadeiramente parte da natureza, da criação.
A tarde, ainda tomamos mais uma dose, e na floresta ouvi índios tocando tambor e cantando para nós. Saí de lá ainda completamente na força, peguei o ônibus as 10 horas da noite, e ainda estava em êxtase. Sem dúvida, a experiência mais incrível de minha vida.
(CONCLUSÃO) Concluí este trabalho com as respostas que fui buscar: Que Samael e as Hierarquias Divinas protegem e abençoam este trabalho. Que o Yagé é um aliado legítimo no Despertar da Consciência. E que meu caminho passa definitivamente pela floresta, pelo xamanismo.
Termino este relato desejando muita Paz e Luz no caminho de todos os irmãos, verdadeiros amigos que fiz nessa vivência. Agradecendo a ajuda e o carinho de todos, sobretudo da Sônia e do Luis, que nos proporcionaram esta experiência. Sem dúvida, nossos caminhos se cruzarão ainda muitas vezes na jornada da vida.
Paz Inverencial.
Curumim
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