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por: Giovani - Janeiro/2004
A menos de um mês antes da Vivência em Bauru, praticamente eu não tinha informação alguma sobre o Yagé, até assistir no Fantástico falando sobre esse chá milagroso, e, alguns dias após, ouvir também na TV um relato de uma pessoa que havia se livrado das drogas através do uso do Yagé. Depois, como num passe de mágica, surgiu em minha frente o site na internet do Luis Pereira, quando procurava na página de busca sobre assuntos religiosos.
Achei então que não era mera coincidência tudo isso, e comentei com um amigo que também se interessou muito pelo assunto. Lemos todo o site e nos interessamos ainda mais. Então entramos em contato com o Luis Pereira e nos inscrevemos na Vivência de Janeiro de 2004.
Eu e meu amigo fomos os primeiros a montar a barraca na chácara onde iria acontecer a vivência. Para ser sincero, até aquele momento, ainda me perguntava o que fazia ali, pois, ainda não acreditava firmemente no poder do Yagé, mesmo após ter lido relatos e relatos de pessoas que já haviam experimentado, e que eram unânimes em relatar sobre o quão maravilhosas experiências viveram.
1º dia: À noite iniciou-se a sessão de sexta-feira, onde eu iria provar pela primeira vez na vida essa bebida sagrada. Percebia o amor e reverência que as pessoas daquele local - que já haviam bebido o Yagé em outras ocasiões - tinham pelas plantas Mariri e Chacrona, das quais o Yagé é feito. Apesar de tentar, não conseguia ter essa mesma reverência e amor, pois ainda desconhecia o seu poder.
Mas isso era por pouco tempo. Bebi então então o Yagé pela primeira vez e sentei-me em uma confortável poltrona, onde ouvimos hinos e músicas maravilhosas, que falam de amor e da natureza, e também cantos xamânicos, pelos quais iria ter profundo carinho e agradecimento dentro de pouco tempo. Passaram-se aproximadamente uns 20 minutos e o Luis passou por mim perguntando se eu já sentia os efeitos do chá, e eu disse que ainda não sentia nada. Ele disse para que me concentrasse, pois o efeito já estava ocorrendo, mas eu não estava percebendo. Depois falou em voz alta que muitos buscam o despertar da consciência, mas nem mesmo conseguem saber ou perceber o que é essa consciência, mesmo que ela atue em nós. Nesse momento algo despertou em mim.
Estava ouvindo a algum tempo barulho de carro passando, de trem, e nem me dava conta de que estávamos a vários quilômetros de rodovias e de ferrovias. Nesse momento percebi que minha percepção auditiva estava amplificada, aguçada, e eu conseguia ouvir coisas a vários quilômetros de distância. As músicas passaram a soar de uma forma muito diferente e milhões de vezes mais harmoniosas. Nunca tinha sentido uma qualidade sonora tão perfeita em meus ouvidos. Nem o mais moderno aparelho de som poderia proporcionar tremenda qualidade sonora como a que eu estava experimentando naquele momento.
Conseguia ouvir perfeitamente cada instrumento em separado, e me integrava com eles, como se eu fosse o próprio instrumento e o músico que o tocou. Percebia a "Verdade" que cada música queria passar. Comecei a ouvir com perfeição os barulhos dos bichos da floresta e até mesmo a "voz" das árvores. Estava completamente integrado com a natureza naquele momento.
Terminada a sessão da sexta-feira, eu estava completamente relaxado e descansado. Fomos dormir, e tive uma noite maravilhosa de sono.
2º dia - No sábado participamos do plantio do cipó Mariri, e já me sentia profundamente grato por aquela planta mágica e poderosa. Também visitei com o Cláudio e o Amilton a plantação de Mariri e Chacrona daquela chácara. Por cada uma que passávamos, agradecia do fundo do coração por eu estar ali, vivendo a melhor experiência que já vivi na vida.
Após tomarmos um banho gelado e revigorante, no meio da mata, chegou o momento da sessão. Todos tomaram o Yagé e foram ficar em volta de uma fogueira ao ar livre, onde nossos corpos eram purificados por ervas aromáticas que a Sônia, mulher do Luis, defumava ao redor de cada um dos presentes.
Fiquei por algum tempo em volta da fogueira e fui deitar-me em uma confortável rede, aguardando o efeito do Yagé chegar. A música tocava harmoniosa como o canto dos pássaros, e de repente comecei a sentir a mesma amplificação auditiva do dia anterior. As primeiras chamadas foram feitas e o Luis colocou no aparelho uma música xamânica poderosíssima e maravilhosa.
Nesse momento senti como se um foguete tivesse sido amarrado ao meu corpo e tivesse me levado com tudo até o infinito, nas profundezas do meu Ser. Não dá para explicar, mas foi como se a consciência despertasse de uma vez. Já não sentia meu corpo físico. Tudo era apenas energia. Não sentia mais as pessoas ao meu redor. Parecia que havia sido levado de corpo e alma para um lugar desconhecido. Estava em estado de graça. A música xamânica tocava, e eu me senti em meio a uma tribo indígena, de um povo muito pacífico e cheio de amor. Todos pareciam me reverenciar, enquanto eu os reverenciava também.
Não consegui me conter, meu estado de felicidade era muito grande, e comecei a rir de forma incontida. Por mais que tentasse, não conseguia parar de rir. Sabia que poderia estar atrapalhando a concentração de meus amigos ao redor, mas não conseguia parar de rir. Havia um rapaz chamado Guto que também ria muito. Ele devia estar sentindo a mesma felicidade que eu sentia. Até que o Luis convidou-me a dar uma volta pelo salão. Andando por ali, percebi que muitas pessoas passavam mal. Algumas vomitavam, outras se encolhiam, e eram carinhosamente amparadas pela Sonia, pelo Cláudio e pelo Luis, que tão bem cuidaram de todos nós. Eu sabia que o sábado era o dia da força, e muitos estavam sentindo essa força, e seus corpos físicos estavam sendo purificados de males de outrora.
Logo após, voltei para a rede e comecei a pedir a Deus e à Mãe Divina para que me guiassem naquela experiência, que me mostrassem tudo o que eu deveria ver. Pedia também muitas coisas, a maioria delas voltadas para o meu trabalho com a Revolução da Consciência. Esperava que passasse também por um processo de limpeza de meu corpo físico, mas isso não ocorreu. Só tive momentos felizes nesse dia também, assim como foi no primeiro dia. Ainda dei muitas gargalhadas naquela noite, tamanha era o meu estado de felicidade.
Pedia ao Luis que colocasse mais e mais músicas xamânicas no aparelho, pois elas me levavam a uma felicidade sem fim, em contato com os próprios índios, que eram muito bondosos comigo e me tratavam muito bem. Um dos participantes, que é do Paraná, estava, por livre e espontânea vontade, fazendo o papel de índio naquele dia. Com penas sobre as orelhas, ele andava pelo salão, enchendo o recinto de alegria. Nessa hora senti que os Xamãs estavam gostando muito da atitude daquele querido colega, pois ele mostrava um profundo respeito e amor por nossos índios, representando-os naquele momento de forma tão brilhante.
Compreendi então, naquele momento, o profundo amor que o Luis e sua esposa Sonia tinham por todos naquele local. Nesse dia, apesar de ter pedido muitas respostas à minha Mãe Divina e ao Pai interno, não obtive nenhuma. Bebi o Yagé por mais duas vezes, pois não queria que aquele efeito passasse nunca mais, e também estava esperando respostas de minha Mãe Divina naquela noite, mas elas não vieram. Fiquei um pouco frustrado com isso, mas sabia que não era eu quem determinava a hora que as respostas deveriam vir, mas sim a Mãe Divina e meu Pai interno. Novamente estava me sentindo muito bem fisicamente após a sessão, e tive mais uma noite maravilhosa de sono.
3º dia - Para mim, esse foi o dia mais especial de todos. Senti que os dois primeiros dias foram como uma preparação para este terceiro dia, um domingo chuvoso, no qual iríamos passar pela última experiência com o Yagé naquela vivência.
Levantamos cedo, desmontamos as barracas, tomamos mais um banho gelado e um banho de ervas carinhosamente preparado pelo Luis, e partimos para mais uma sessão com o Yagé, por volta das 11:30hs. Novamente, após tomar o chá, deitei-me na rede. O efeito chegou, e com ele a viagem mais incrível que já fiz em toda a minha existência. Nenhuma viagem à praias ou lugares mais lindos que possam existir no planeta se comparam com a experiência que vivi nesse dia.
Em momentos fui levado à Paraísos incríveis, de flores e animais pacíficos, de beleza incomparável. Enquanto era levado, me sentia como uma criança em um berço, que era balançado pela Mãe Divina. Sentia o carinho e amor que ela tem por mim. Amei naquele momento profundamente à todos os seres, e entendi que todos nós somos um, que todos possuem uma Essência maravilhosa em si, e que essa Essência é incapaz de pecar, de adoecer, ou de morrer.
Nós somos essa Essência, e não as ilusões de nossos egos e corpo físico. Somos todos como raios luminosos que provem de um mesmo farol, e esse farol é o próprio Deus. Apesar de parecermos individuais, viemos e fazemos parte da mesma fonte de luz.
Meu corpo físico não existia naquele momento. Nem o tempo e nem o espaço existiam também. A felicidade que eu sentia era algo que jamais havia sentido até então. Nesse momento comecei a sentir um frio incrível. Fiquei por bastante tempo sentindo esse frio, mas mesmo assim era levado à Paraísos incríveis, de incontestável beleza. Depois de algum tempo pedi uma coberta ao Luís, que me cobriu com muito carinho. Percebi então que a nossa temperatura (ou poderíamos dizer "vibração") é diferente da temperatura (vibração) de Deus, com a qual devemos nos equalizar e harmonizar, para vivermos em constante estado de graça. A chuva caia sem parar, e chovia um pouco onde minha rede estava, que era sob o beiral do telhado. As gotas de chuva que caiam sobre mim mais pareciam pétalas de rosa que me agraciavam com sua suavidade e ternura. Eu não me sentia digno de receber tanta felicidade como estava recebendo naquele momento.
Não tem como explicar o que eu estava vivendo naquele dia. Uma a uma, todas as respostas que solicitei no dia anterior começaram à vir a mim de forma intuitiva. Recebi ensinamentos preciosíssimos para o meu trabalho esotérico. Meu Pai me disse que, para eu viver nesse estado de graça todos os dias, deveria praticar os ensinamentos gnósticos com afinco e dedicação, pois eu alcançaria essa Felicidade, e passaria a vivê-la em todos os dias de minha vida. Senti naquele momento o que os Mestres devem sentir todos os dias. Percebi que tudo o que realmente vale a pena na vida é viver para Deus e buscá-lo com afinco, em todos os momentos.
Nada mais importa. Para que buscar e lutar tanto pelas coisas materiais se elas não tem o poder de nos dar nem 10% daquela felicidade que eu estava tendo naquele momento? Muitos outros ensinamentos recebi, que são muito particulares. Tudo isso passei enquanto estava de olhos fechados. Então resolvi abrí-los por alguns momentos, e não podia acreditar no que via. Os índios Xamãs estavam entre as árvores nos observando. Mostravam apenas os rostos, por entre os galhos das árvores. Quanto às árvores, podia sentir a vida de cada uma, os seus elementais, e percebia também uma beleza indescritível naquela floresta. Me emocionei e as lágrimas correram em meu rosto. Mentalmente comecei a agradecer ao Mariri e a Chacrona por nos proporcionar aqueles momentos mágicos naquela vivência.
A Vida estava em tudo e em todos, e, mesmo que eu quisesse, não podia pensar em infelicidades ou tristezas naquele momento. Eu estava nos braços de Deus, e me sentia assim de olhos abertos ou fechados. Borboletas e pássaros astrais voavam por todos os lados. O céu tinha vida, e eu fazia parte dessa vida. Vi vultos de homens de branco passando por nós e entrando pela floresta. Todos eram pacíficos e amorosos. Os índios Xamãs sempre a nos observar, com carinho e amor. Passei a cantar as músicas que tocavam, mesmo sem saber as letras. Mas as palavras vinham em minha boca, e passei a cantar com perfeição músicas que eu nunca havia ouvido na vida. Gente, não existe nada no mundo que se compare com o que vivi nesse dia.
Fui ao banheiro e me olhei no espelho. Eu piscava os olhos fisicamente, mas no espelho não piscavam. Achei que estava ficando louco, e pisquei por várias vezes e nada de piscarem no espelho. Então, me aproximei mais desse espelho e mergulhei dentro dele. Novamente fui levado à jardins incríveis.
Por onde eu andasse só felicidade absoluta cruzava o meu caminho. Não me sentia merecedor de tudo aquilo. Saí do banheiro e olhei por entre a mata, onde vi um castelo majestoso, branco e único em meio àquela mata nativa. Ali estava o reinado astral de uma planta de poder, pois bem ali havia uma plantação dessa plantinha, o que fui descobrir mais tarde com a Sonia, esposa do Luis.
Já conheci em minha vida muitos lugares bonitos, praias lindas, paradisíacas, mas nada se compara ao que conheci nessa vivência. Na verdade, nada no mundo, nada mesmo, é mais belo ou importante do que o Paraíso Divino.
Amigos, atirem-se todos nos braços de Deus e da Divina Mãe, e terão tudo o que sempre procuraram na vida, toda a felicidade que jamais alguém ao alguma coisa do mundo poderá te dar. Assim foram meus dias nessa vivência. Eu e meu amigo nos despedímos de todos e retornamos para casa ainda em estado de graça.
Deixo um abraço fraternal a todos os amigos que lerem esse relato, e em especial à todos que estiveram comigo naquela vivência (com os quais muito aprendi), e principalmente ao meu amigo e companheiro Wagner, que disponibilizou o carro que nos transportou e a barraca que tão bem nos abrigou naqueles dias chuvosos, além de sua excelente companhia, e também aos irmãos Luis Pereira, Sonia, Cláudio e Guto, onde existe um templo de amor instalado no coração de cada um deles, e esse amor se espalha por todos os lados, sendo impossível para quem convive com essas pessoas, não sentir-se preenchido pelo carinho que delas emana, e pelo amor que transborda de seus corações.
Por último e em especial, agradeço às queridas plantas Mariri e Chacrona, a toda mãe Natureza e a todos os animais e seres físicos e astrais que vivem nas matas. A vocês deixo meu profundo respeito e admiração, enquanto escrevo estas últimas palavras de meu relato com as lágrimas escorrendo pelo rosto, conseqüência de tanta felicidade que me proporcionaram e que estou sentindo até hoje.
MUITO OBRIGADO À TODOS
Giovani
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