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MENSAGEM AOS IRMÃOS DE CAMINHADA Imprimir E-mail


irmãos de caminhadapor: Edimar Jesus

Temos recebido mensagens de irmãos de caminhada, das fileiras do movimento gnóstico, muitas vezes nos criticando pelo uso da Ayahuasca aliada ao despertar da consciência, visto que as instituições gnósticas tradicionais, de origem Samaeliana, não utilizam ferramentas externas em seus processos de estudo e experimentação.

O uso das sagradas plantas de poder tem sido através dos tempos um recurso importante na espiritualidade e cultura de muitos povos nativos, desde as Américas, África, Ásia e Oceania. Até mesmo Samael, sem recomendar diretamente seu uso nas instituições que fundou, reconheceu a função destas chaves sagradas, conforme testificou em suas obras "Logos Mantram Teurgia”, "Matrimônio Perfeito de Kinder ", e "A Montanha de Juratena".

É preciso destacar, no entanto, que o Universo Místico não se identifica como uma escola tradicional gnóstica, sendo que nosso foco holístico e universalista nos permite considerar em nossos estudos muitas outras fontes importantes da sabedoria universal, dentre os quais, o próprio xamanismo primitivo, a sabedoria de nossos ancestrais nativos, dos povos da terra.

Quero neste momento manifestar meu ponto de vista, fruto de minha vivência com e sem o uso de plantas de poder. Digo isto por que de forma alguma pretendo criar aqui uma polêmica sobre o assunto, um debate daqueles que não leva a lugar algum, ou muito menos, fazer apologia a quem não lhe interesse o assunto.

Inicialmente, devo enfatizar que os mais de 15 anos nas fileiras do Movimento Gnóstico instruíram-me as técnicas necessárias para o despertar da consciência e a autocura sem a necessidade de um artifício externo. Devo dizer que muitos resultados positivos obtive com tais técnicas, que transformaram minha vida, e por elas meu agradecimento sincero aos V.M Samael e Rabolú e a toda a Fraternidade Branca.

No entanto, em algum momento de minha caminhada resolvi me arriscar, assim como muitos iniciados se arriscaram, por caminhos pouco convencionais, a comprovar e experimentar algo que antes meu preconceito não permitia. Preconceito sim, pois todo conceito que não advenha da experimentação será inevitalmente um preconceito.

Conheci a Ayahuasca com o mesmo temor que proporcionou a muitos irmãos gnósticos experiências terríveis, vendo seus próprios demônios internos e ligando estas visões a ataques da chamada “loja negra”, ou pior do que isso, responsabilizando o chá, ou o elemental.

Minha primeira experiência não me convenceu da natureza espiritual do que estava fazendo, nem mesmo do poder divino da planta. Mas repeti uma segunda e uma terceira vez, e algo então aconteceu. Não foram visões subjetivas, mirações ou qualquer tipo de fascinação que me estimularam a continuar o uso da Ayahuasca, senão os resultados efetivos que obtive em minha saúde, minhas energias e em minha vida.

Se está escrito que não cai uma só folha de árvore sem que seja feita a Vontade do Pai, compreendo e aceito que ele possa sim usar de uma planta, ou seja, de um filho seu do reino vegetal, para me servir de professor e aliado em minha caminhada.

A um Mestre ou a um Alto Iniciado, realmente, nem mesmo a “medicina oculta” lhe é necessária, pois já tem o poder máximo encarnado em seu Verbo. Agora, quanto ao uso de artifícios externos, eles estão em toda a parte a disposição do homem, como seus aliados ou lamentavelmente, em alguns casos, como seus algozes.

De onde vem originalmente a energia que é trabalhada no Arcano, senão dos distintos hidrogênios presentes em cada alimento que nos entram pelos cinco sentidos? O alimento que ingerimos pode se transformar em uma energia qualificada em nosso laboratório íntimo, se qualificada for sua ingestão. Ou seja, se nos alimentamos em excesso ou de alimentos nocivos, desqualificamos nossas energias. E nesta questão entram todos
os alimentos, o orgânico, à água, o ar, as imagens, sons e impressões.

Mas de qualquer forma necessitamos do alimento e ele é uma dádiva que a Mãe Natureza nos legou. Sobre o Chá, trata-se de um alimento que não deve ser recomendado a todos. Porém, minha experiência tem demonstrado que aquele que o busque como uma opção de fortalecer sua fé, sua vitalidade, sua espiritualidade, deverá fazê-lo com confiança e assim terá seus resultados. Isto não implica em crer em uma salvação externa, muito antes pela contrário, pois o chá não faz o trabalho interno por nós, ele tão somente pode clarear nosso caminho, servir como uma lanterna acesa, enquanto fabricamos nossa própria luz.

Trata-se de um elemental evoluído, de um Deva Elemental, que tem poder suficiente para auxiliar no despertar da consciência de quem assim se proponha. É com este respeito que o uso e é com esta postura que tenho colhido meus resultados, e aqui não falo de teorias, mas de fatos.

Existem porém muitos argumentos que podem convencer a alguém a não seguir por ai, todos muito bem válidos, como por exemplo, o risco de se acostumar com as muletas e se acomodar. Particularmente, corro este risco, em razão de um claro e firme compromisso íntimo, em fazer a "fisioterapia", enquanto me sirvo também das muletas. E é assim que tenho compartilhado esta medicina sagrada, com respeito, mas não com idolatria, com seriedade e cuidado, mas livre de qualquer amarra mental. Se no homem, feito Microcosmos está contido todos as Respostas do Universo, o infinitamente grande e o infinitamente pequeno são um só. Externo e interno, desta forma, assumem também, no meu ponto de vista, uma mera concepção mental e na verdade somos todos um.

É com esta fé, talvez uma fração ínfima de um grão de mostarda, que ouso caminhar por onde caminho, construindo o caminho a cada passo.

Felicidades a todos os irmãos de caminhada. Em algum lugar, entre o céu e a terra, todos os caminhos se cruzarão.

Edimar Jesus.