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“CHÁ HOASCA É INOFENSIVO A SAÚDE”
Tópicos importantes de matéria jornalística do jornal Correio Brasiliense de 10 de julho de 1996.
A afirmação, com base em conclusões preliminares de pesquisa ainda inédita – e publicada com exclusividade pelo Correio Brasiliense - , é entre outras de duas instituições respeitáveis: Escola Paulista de Medicina, da Universidade de São Paulo, e Universidade da Califórnia (EUA). Segundo elas, o chá Hoasca (também conhecido como Ayahuasca ou Daime) que se supunha substância entorpecente, é inofensivo a saúde.
O chá, segundo a pesquisa, assinada por algumas das maiores autoridades mundiais em toxicologia, etnobotânica, psiquiatria e psicofarmacologia – entre outros, os cientistas norte-americanos Rick Strasman e Charles Grobb - é, do ponto de vista toxicológico, quase tão inócuo quanto a água e bem próximo ao suco de maracujá. ...
... Mesmo oficialmente liberado, o chá Hoasca, utilizado no Brasil por diversas instituições religiosas de origem amazônica... é tolerado com reservas pelas autoridades, visto por muitas como nociva, cuja proibição já foi diversas vezes proposta ao Confen.
[a matéria é de quase dez anos atrás, hoje o confen já não existe e aquelas autoridades hoje modernizadas já reformaram opiniões]
A pesquisa, porém, afirma coisas bem diferentes. Diz, por exemplo, que o chá “ não causa qualquer padrão de dependência, abuso, overdose ou abstinência”. Mais: “Não foi observado distúrbios posteriores ao uso do chá”. ...
Os testes de DL – 50, que estabelecem a dose letal de uma substância – e são feitos com cobaias em laboratório, em geral camundongos – constataram que a DL 50 da Hoasca é 7,8 litros. A da água é de cerca de 10 litros, a do maracujá é de aproximadamente 8 litros e a do uísque é de apenas 1 litro.
Outro parâmetro para estabelecer o grau de toxidade de uma substância: ministra-la a cobaia em dose de 1 grama por quilo. Se até os cinco gramas não causar danos fisiopatológicos, a substância é considerada inócua. Com a Hoasca, essa marca foi ultrapassada: chegou a 5,8 gramas por quilo, sem efeitos danosos.
Nos testes psiquiátricos, foram aplicados os recomendados pela ortodoxia científica, o CIDI (Composite International Diagnostic Interview), com os critérios do CID10 e DSM III-R, e o TPQ (Tridimensional Personality Questionaire).
Constatou-se que os usuários de Hoasca comparativamente aos não usuários (grupo de controle) mostraram-se mais “reflexivos, resistentes, leais, estóicos, calmos, frugais, ordeiros, e persistentes”. E ainda mais “confiantes, otimistas, despreocupados, desinibidos, dispostos e energéticos”. Exibiram também, “alegria, hipertimia, determinação e confiança elevada em si mesmo”.
Desfazendo afirmações correntes de que o chá enfraquece a memória, os testes neuropsicológicos constataram exatamente o contrário: que “os examinandos apresentaram desempenho significativamente melhor que os do grupo de controle quanto a capacidade de lembrar as palavras na quinta tentativa”. Foram melhores também em número de palavras lembradas, recordação tardia, recordação de palavras após interferência....
...O comando da pesquisa coube ao cientista norte americano Charles Grobb, da divisão de psiquiatria da Criança e do Adolescente, da Universidade da Califórnia, coadjuvado por Dennis McKenna, diretor do Botanical Dimensions e um dos maiores pesquisadores mundiais da Hoasca, com diversas publicações, à frente da equipe de mais sete pesquisadores de instituições acadêmicas dos Estados Unidos.
Entre os cientistas norte-americanos, um destaque: o psiquiatra da Universidade do Novo México Rick Strasmann, considerado o maior estudioso mundial em DMT (substância que comparece em um dos dois vegetais que formam o chá, a Chacrona).
Strassmann é o único cientista do mundo com autorização expressa para pesquisar os efeitos da DMT em seres humanos, concedida pelo NIDA (National Investigation Drugs Abuse), órgão norte americano formulador da política de combate as drogas.
Os alcalóides DMT (Dimethil-tripidamine) e harmalina, princípios ativos presentes no chá, são substâncias endógenas – isto é – produzidas pelo próprio corpo humano -, e não agridem o organismo.
Pelo Brasil, participaram da pesquisa Cláudio Torres de Miranda, Cristiane Tacla e Eliseu Labigalini Junior do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina; Osvaldo Luis Saíde, do Departamento de Psiquiatria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, José Cabral do INPA; Alcidarta Galheda, da Universidade do Amazonas; Alba Brito e João Ernesto Carvalho, da Unicamp; e Guilherme Oberleander da Sociedade Brasileira de Psiquiatria Biológica.
Pela Universidade de Kuopío, Finlândia, Jace Callaway (Departamento de Farmacologia e Toxicologia) e David Nichols (Departamento de Química Médica e Farmacologia).
As conclusões da pesquisa, embora preliminares, são de grande significação, pois invertem numerosas teorias em circulação e confirmam o teor de duas resoluções do Confen, que garantem o uso legal do chá no Brasil.
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